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Discurso de Formatura
Haydée Gomes Silva - Pós Graduanda em Formação Missionária – CIEM
Rio de janeiro, 05 de dezembro de 2009
Digníssima Presidente da União Feminina Missionária Batista do Brasil – Profª Marlene Baltazar da Nóbrega Gomes, Digníssima Presidente do Conselho Administrativo do Centro Integrado de Educação e Missões – Drª Roseli Martins Xavier Pinto, Digníssima Diretora Executiva do Centro Integrado de Educação e Missões – Drª Maria Bernadete da Silva, Ilustríssimo Paraninfo da Turma 2009 – Profª Eduardo Luís de Carvalho Faria, Ilustríssima Profª Márcia Lídia Aburto Barrientos, Ilustríssima Profª Jilza Feitosa de Araújo, Nossos queridos professores, Familiares, Amigos, Irmãos em Cristo, Formandos 2009...
...A todos vocês, uma boa noite!
Talvez seja esta a tarefa mais difícil dentre os anos passados juntos: a de tentar resumir o que foi para cada um de nós esse tempo de diversidade cultural, de obstáculos individuais, de lutas pessoais, de aperfeiçoamento de aptidões e de diferentes personalidades.
De fato, estarmos aqui hoje – e estou certa de que serei compreendida especialmente pelos formandos – representa a abundante graça de Deus em nossas vidas, que se reflete nesse enorme dom que ele nos dá, da salvação e do testemunho; e ainda, o de superar os limites que conhecíamos outrora, rompidos nesta noite por meio da nossa fé no todo poderoso Deus e da sua benfazeja vontade.
Somos gratos a Deus por todas as experiências vividas e pelo aprendizado algumas vezes dolorido. Aos nossos pais e demais familiares, agradecemos pelo incentivo nos momentos necessários e pela compreensão nas inúmeras horas de ausência. Como poderíamos deixar de agradecer também aos nossos professores, mestres amigos e dedicados. Vocês são referência certa do zelo de Deus para conosco.
Todos aqueles que nos acompanham há algum tempo guardam na memória que há dois ou três anos (dependendo do curso escolhido) chegamos ao Centro Integrado de Educação e Missões em busca de um preparo missionário adequado a realidade humana e do melhor preparo em manejar a Palavra. Não viemos para executar o “plano b” de Deus, mas para resgatar a mesma essência do Evangelho, pregado desde os patriarcas e profetas de Israel até a vinda do Messias, que entre nós habitou e se fez gente também – o Criador fez-se irmão, amigo, redentor... Salvador. Pelas salas e escadarias desse belíssimo lugar conhecido como CIEM, que invade a Floresta da Tijuca, passaram, inclusive, parentes, mães e avós de alguns de nós. Somos fruto, portanto, de diversas gerações; não estamos sozinhos no tempo ou no espaço.
Apesar de tudo isto, sabemos que ir ao lugar certo nunca é o bastante para vivermos uma vida missionária saudável e cheia de ousadia. Dia a dia Deus acrescenta experiências e sabedoria aos que vivem no campo, sendo submissos a missão que nos foi confiada, como obreiros dedicados e educadores. Estejamos certos, entretanto, que o nosso compromisso é não só com o ensino da Palavra de Deus e com o aprendizado de nossos discípulos. Em nossa jornada estaremos, sobretudo, cuidando de vidas. As mesmas vidas pelas quais Deus enviou seu único Filho, que agia de acordo as necessidades de cada um. O homem é um ser completo e sua vivência no corpo não pode ser olvidada; suas carências não devem ser minimizadas e subestimadas. Glorificaremos a Deus em nosso espírito, mas também com a alma e o corpo redimidos, graças ao Bom Deus!
Outro aspecto bastante presente em nossas vidas, durante o tempo que passamos juntos no CIEM, é o da renúncia. Aprendemos que é preciso abrir mão de muitas coisas, em nome de uma causa bem maior. Não diria mais importante, pois tudo o que fazemos, se é honesto, se bom e se tem o temor de Deus em nossas vidas, é importante, santo e glorifica a Deus com o nosso testemunho. Mas atuaremos diretamente na construção de um reino que nunca tem fim. Ser agentes do Reino de Deus é ser agentes da transformação de toda a História, seja ela terrena e humana, seja da comunhão de Deus com toda a sua criação e filiação. Dessa forma, tanto quem está longe, nos chamados campos missionários, quanto quem está trabalhando nos grandes e pequenos centros urbanos, têm a sua própria missão, pois, para Deus não existem filhos leigos.
Nossa renúncia para nos dedicarmos de forma integral a igreja ou a missões tem diferentes faces. Para alguns, essa renúncia significou deixar sonhos para trás, a fim de ver os planos de Deus se realizarem em suas vidas. Para outros, renunciar era abrir mão de suas tão preciosas férias para se tornar educadores cristãos. Há, ainda, quem tenha largado uma “oportunidade imperdível” de emprego. Tudo isso por quê? Porque o amor por Jesus e pelas vidas nos pareceu irresistível; muito maior que os nossos planos e vontades. Alguns dos nossos parentes não puderam entender nossa escolha, não é verdade? Mas, diante da nossa atitude um tanto quanto radical, não puderam questionar que algo maior nos motivou a isso.
Contudo, não significa que desprezemos a alegria, o prazer, a amizade, os laços familiares. Todas estas coisas são importantes e nós desfrutamos disso no momento próprio. Juntos, tivemos a oportunidade de desfrutar das bênçãos concedidas por Deus, que são os sorrisos de quem visitamos enquanto estavam enfermos no Hospital do Andaraí ou detidas no Presídio Talavera Bruce, em Bangu; bênçãos que vieram através das lágrimas dos acolhidos no Projeto Esperança na Praça e nas viagens missionárias promovidas a cada semestre, em parceria com a Junta de Missões Nacionais. Foi de muito proveito e alegria também servir a Deus nas sextas-feiras a tarde, onde aprendíamos com a disciplina Serviço à Comunidade, ajudando no cuidado da nossa escola.
Nos poucos anos de nossa convivência, pudemos estudar juntos e experimentar o que significa de verdade a divisa do CIEM (Gl 2.20), deixando Cristo viver em nós e através de nós. Com a vida de Cristo em nós, pudemos desfrutar os momentos de estudo, a rotina diária do ciemista, os relacionamentos em sala de aula e na residência, as experiências missionárias, os momentos de angústia e tristeza... Enfim, aprendemos melhor o que significa servir, amar, conviver, respeitar, dividir, multiplicar, ensinar, aprender etc. Em todas estas coisas éramos munidos de força para prosseguir no estágio pelas igrejas e nas demais áreas de nossas vidas. Vencemos juntos, essa é a verdade!
O cristão é vocacionado para abençoar vidas, e é assim que nos sentimos ao sermos preparados no CIEM. Podemos olhar para a história de Abrãao e ver que somos, ainda hoje, tantos séculos depois, parte dessa bela história também; Gn 12.1-3 fala de nossas próprias vidas, quando Abrãao recebe de Deus a incumbência de ser bênção na terra, para todos quantos fossem colocados no seu caminho. “Sê tu uma bênção, ciemista!”, diz o Senhor dos Exércitos.
Mas, o que é mesmo ser bênção? Aurélio nos auxilia e lembra: ser bênção é abençoar, fazer feliz, tornar próspero, proteger...
Foi o amor de Deus por este mundo em que vivemos e pela sua criação que nos constrangeu a amá-lo também e nos impeliu a buscar o melhor preparo. Resolvemos, assim, pagar o preço de nos deixar ser usados para abençoar o mundo. Quando compreendemos isso, nos colocamos ao lado de Deus e passamos a fazer parte do seu grande projeto de resgate confirmado pela vinda do seu único filho, para que nenhum homem se perca. Quando compreendemos e dissemos sim ao chamado divino, mostramos a ele que entendemos o significado de Jesus ter ensinado aos discípulos a oração do pai nosso (Abba, Pai), com isso, nos tornando participantes do relacionamento do Pai com o Filho. Ao compreender estas coisas, dizemos a Deus que o amamos, quando demonstramos amor ao nosso irmão. Amar o nosso irmão é compreender o plano de Deus, pois, quem não ama não conhece a Deus: Deus é amor! (I Jo 4.8-21).
Prezados que aqui estão nesta noite: muitos lugares, tribos, povos e nações esperam pela nossa compaixão ao levarmos o Evangelho a eles. A promessa bíblica é que as famílias da Terra seriam benditas em Abrãao, e a responsabilidade atual é toda nossa. Não podemos ser omissos, a realidade é gritante, a sociedade exala a falta de Deus. O Brasil e o mundo esperam por nós!
Sendo vocacionados e preparados para o serviço, estamos prontos a viver a experiência, que se renovará por toda a nossa vida. Seremos enviados por toda parte, seja a lugares bastante próximos de onde estamos ou a locais esquecidos, a pessoas sem nome e sem expressão; alguns destes serão rejeitados até mesmo pela própria família, mas levaremos luz aos que caminham tropeçando na escuridão. Estamos prontos a dedicar tempo para o ensino da Palavra de Deus e para participar do aprendizado dos nossos alunos, mesmo que isso requeira atenção exclusiva e muita paciência. Pois, quem nos chamou foi o Senhor. O que nos motiva diariamente é a certeza de que o Deus que nos chamou estará conosco em cada momento da nossa nova jornada.
Amados, nós os formandos, aqui estamos para juntos dizermos que queremos ser relevantes na igreja do Senhor e para a sociedade ao redor dela. Vamos sair e contagiar o mundo com o amor de Deus e com o nosso trabalho.
Formandos de Capacitação Missionária, Graduação em Missões, Graduação em Educação Religiosa, Pós Graduação em Formação Missionária e Pós Graduação em Educação Religiosa, meus queridos colegas missionários, avancemos, pois este é só o começo da nossa longa caminhada rumo a salvação do mundo:
"Quão formosos são os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação." (Is 52.7)


